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Orar sem cessar...
Das homilias de São Basílio (330-379), monge e Bispo de Cesaréia da Capadócia, doutor da Igreja:
Não podemos limitar a oração a pedidos em palavras. Com efeito, Deus não precisa apenas que Lhe façam discursos; mesmo que nada Lhe peçamos, sabe aquilo de que precisamos.
O que dizer? A oração não consiste em fórmulas; antes abarca a vida toda. «Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus», diz o apóstolo Paulo (1Cor 10,31). Estás à mesa? Reza: ao pegar no pão, agradece Àquele que to concede; ao beber o vinho, lembra-te Daquele que te proporcionou este dom, para te alegrar o coração e te consolar das tristezas. Terminada a refeição, não te esqueças de te recordar do teu benfeitor. Quando vestes a túnica, agradece Àquele que ta deu; quanto vestes a capa, testemunha o teu afeto a Deus, que nos proporciona vestes adequadas ao inverno e ao verão, para nos proteger a vida.
Terminado o dia, agradece Àquele que te deu o sol para os trabalhos da jornada e o fogo para te iluminar o escuro e prover às tuas necessidades. A noite dá-te motivos de ação de graças; olhando o céu e contemplando a beleza das estrelas, reza ao Senhor do universo, que fez todas as coisas com tal sabedoria. Quando vês a natureza adormecida, adora Aquele que, por meio do sono, nos reconforta de todas as fadigas e nos devolve, através do repouso, o vigor das forças.
Deste modo, rezarás sem descanso, se a tua oração não se limitar a fórmulas, mas pelo contrário te mantiveres unido a Deus no decurso de toda a tua existência, de maneira a fazeres da vida uma oração incessante.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 13h56
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Advertências de fim de ano litúrgico
Caro Internauta, penso que o evangelho que escutamos nesta sexta-feira merece uma explicação, pois que é muito útil e não é de fácil compreensão. Ei-la:
Lc 17,26-37:
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 26“Como aconteceu nos dias de Noé, assim também acontecerá nos dias do Filho do Homem. 27Eles comiam, bebiam, casavam-se e se davam em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então chegou o dilúvio e fez morrer todos eles. 28Acontecerá como nos dias de Ló: comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam. 29Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, Deus fez chover fogo e enxofre do céu e fez morrer todos.
Aqui, o Senhor nos deseja chamar atenção para a vigilância. Sua vinda como juiz (e esta vinda dar-se-á no final dos tempos, mas também, para cada um, no momento da morte) acontecerá quando menos esperarmos. Como nos dias de Noé e nos dias de Ló, quando todos, com o nariz fincado nas preocupações do dia-a-dia, não mais se preocupavam com o essencial, então sobreveio a catástrofe. E o Dia do Senhor será uma catástrofe para quem não vigia, para quem não se prepara para ele... Comer, beber, trabalhar, divertir-se, acumular, gozar a vida... será somente isso a existência?
30O mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado. 31Nesse dia, quem estiver no terraço, não desça para apanhar os bens que estão em sua casa. E quem estiver nos campos não volte para trás. 32Lembrai-vos da mulher de Ló. 33Quem procura ganhar a sua vida vai perdê-la; e quem a perde vai conservá-la.
O Dia de Cristo será de juízo para todos. Não dependerá de nós e ninguém poderá escapar dele. Quando Cristo vier ao nosso encontro, todas as coisas que agora priorizamos tanto perderão a urgência: não haverá tempo para “apanhar os bens”... Tudo passa, tudo é fugaz! Que loucura agarrar-se ao fugaz como se fosse absoluto! Quem dera que usássemos as coisas que passam de modo a abraçar as que não passam... Quem, conhecendo o senhor, olha para trás, não serve para o Reino de Deus: como a mulher de Ló vira estátua de sal, se enrijece, perde a vida...
34Eu vos digo: nesta noite, dois estarão numa cama; um será tomado e o outro será deixado. 35Duas mulheres estarão moendo juntas; uma será tomada e a outra será deixada. 36Dois homens estarão no campo; um será levado e o outro será deixado”.
O Dia do Senhor será discriminatório: uns estarão para sempre com ele; outros, perdê-lo-ão para sempre: uns serão levados com o Senhor e outros serão deixados: “Não vos conheço” – dirá o Senhor! Aqui não adianta querer se esconder na massa! Cada um de nós será julgado pelo rumo que deu à sua vida. E eu: serei levado, tomado com o Senhor ou, ao invés, serei deixado?
37Os discípulos perguntaram: “Senhor, onde acontecerá isso?” Jesus respondeu: “Onde estiver o cadáver, aí se reunirão os abutres”.
Diante da advertência tão grave do nosso Salvador, os discípulos pedem um sinal. Como sempre nestes casos, Jesus dá uma indicação que nos joga na nossa responsabilidade. Para isso, usa um imagem sombria, que realça ainda mais a seriedade da sua advertência: como os abutres esvoaçando são um sinal de decomposição e podridão, assim também nós, saibamos discernir os sinais do juízo de Deus. Esses sinais estão aí, a cada dia, em todo lugar...

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 01h02
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Um Deus que espera conversão...
Dos hinos de Romano, o Melódio (séc. VI), compositor de hinos da Igreja oriental.
Quando contemplo a ameaça suspensa sobre os culpados, no tempo de Noé, tremo, eu que também sou culpado de pecados abomináveis. Aos homens de então, ameaçou o Criador primeiro, porque esperava o tempo da sua conversão. Para nós também haverá a hora final, que desconhecemos, e que até aos anjos foi escondida (Mt 24,36). Nesse último dia, Cristo, o Senhor de antes dos séculos, virá, cavalgando nas nuvens, para julgar a Terra, como viu Daniel (7,13). Antes de esta hora cair sobre nós, supliquemos a Cristo, pedindo-lhe: “Salva da tua cólera todos os homens, pelo amor que nos tens, ó Redentor do Universo”.
O Amigo dos homens, vendo a maldade que então reinava, disse a Noé: “O fim de toda a humanidade chegou diante de mim, pois ela encheu a Terra de violência. Vou exterminá-la juntamente com a Terra” (Gn 6,13); “só a ti reconheci como justo nesta geração” (Gn 7,1). Constrói uma arca de madeiras resinosas como uma matriz, ela carregará as sementes das espécies futuras. Fá-la-ás como uma casa, à imagem da Igreja. Nela te guardarei, a ti, que me rezas com fé: “‘Salva da tua cólera todos os homens, pelo amor que nos tens, ó Redentor do universo!’”
Com inteligência, o eleito cumpriu a sua obra e pedia com fé aos homens sem fé: “Depressa! Saí do pecado, rejeitai a maldade, arrependei-vos! Lavai a mácula das vossas almas, conciliai pela fé o poder do nosso Deus” Mas os filhos da rebelião não se converteram. À perversidade, acrescentaram ainda a dureza. Então, Noé implorou a Deus, com lágrimas: “Fizeste que eu nascesse do seio da minha mãe; salva-me ainda dentro desta arca de socorro. Porque vou fechar-me nesta espécie de sepultura, mas quando me chamares, dela sairei pela tua força! Nela, vou prefigurar desde agora a ressurreição de todos os homens, quando salvares os justos do fogo, como a mim me salvas das ondas do mal arrancando-me do meio dos ímpios, eu que te rezo com fé, a Ti, o compassivo Juiz: ‘Salva da tua cólera todos os homens, pelo amor que nos tens, ó Redentor do universo!’”

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 00h41
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Leituras para o XXXIII Domingo Comum - A
Leitura do Livro dos Provérbios (Pr 31,10-13.19-20.30-31)
10Uma mulher forte, quem a encontrará? Ela vale muito mais do que as jóias. 11Seu marido confia nela plenamente, e não terá falta de recursos. 12Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto, todos os dias de sua vida. 13Procura lã e linho, e com habilidade trabalham as suas mãos.
19Estende a mão para a roca, e seus dedos seguram o fuso. 20Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre.
30O encanto é enganador e a beleza é passageira; a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor. 31Proclamem o êxito de suas mãos, e na praça louvem-na as suas obras!
Salmo responsorial (Sl 127)
Felizes os que temem o Senhor
e trilham seus caminhos!
Feliz és tu, se temes o Senhor
e trilhas seus caminhos!
Do trabalho de tuas mãos hás de viver,
serás feliz, tudo irá bem!
A tua esposa é uma videira bem fecunda
no coração da tua casa;
os teus filhos são rebentos de oliveira
ao redor de tua mesa.
Será assim abençoado todo homem
que teme o Senhor.
O Senhor te abençoe de Sião,
cada dia de tua vida.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (1Ts 5,1-6)
1Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos, não há por que vos escrever. 2Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como um ladrão, de noite. 3Quando as pessoas disserem: “Paz e segurança!”, então de repente sobrevirá a destruição, como as dores de parto sobre a mulher grávida. E não poderão escapar.
4Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. 5Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas. 6Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios.
Aleluia, aleluia, aleluia! (Jo 15,4.5)
Ficai em mim, e eu em vós hei de ficar,
diz o Senhor;
quem em mim permanece,
esse dá muito fruto.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (Mt 25,14-30)
Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: 14“Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou.
16O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco.
17Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois.
18Mas aquele que havia recebido um só saiu, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu patrão.
19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados.
20O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco, que lucrei’. 21O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’
22Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’
24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25Por isso, fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’.
26O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e ceifo onde não semeei? 27Então, devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’.
28Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes!’”
Escrito por Pe. Henrique às 00h31
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Estudo bíblico-catequético para o XXXIII Domingo Comum - A
1. Retome a primeira leitura:
è Aí se faz o elogia de mulher virtuosa. Observe como ela é ativa, como cuida da família, como faz frutificar os dons que Deus lhe concedeu.
è Note como a mulher aparece aí como a alma da casa, o conforto dos filhos, a alegria e orgulho do marido.
è Observe no v. 30 como a mulher vale muito mais que seu aspecto físico ou sua beleza: sua verdadeira riqueza é o temor do Senhor, que faz dela uma pessoa: pessoa digna de louvor e elogio!
è Note bem como numa cultura patriarcal, a mulher é louvada por suas atitudes e não simplesmente como objeto! Compare com a situação de hoje...
è Reze o salmo responsorial.
2. Comparando com o Evangelho:
è Pensando ainda na primeira leitura, releia a parábola de Jesus: que significa ela?
è Pense bem: Deus nos pedirá contas do que fazemos com nossa existência. Ela não é nossa em sentido absoluto: foi-nos doada e um dia nos será pedido contas do que dela fizermos...
è Neste penúltimo Domingo do Tempo Comum, a Igreja nos convida já a fazer um balanço da existência, penando que haverá um dia um juízo de Deus...
3. A segunda leitura trata do fim dos tempos:
è Não sabemos quando será (vv. 1-2).
è Virá quando menos esperarmos, por isso é necessário vigiar sempre (v. 3).
è O cristão é filho daquele Dia, pois esse Dia é o próprio Cristo, é o Dia de Cristo, para o qual já nos vamos preparando (v. 6).
è Observe que a Palavra de Deus coloca toda a atenção na nossa atitude hoje, no agora desta vida: vigiar e fazer a vida dar fruto, como a mulher da primeira leitura!
4. Eis o que diz o Catecismo:
1040. O Juízo Final acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. Só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo, só Ele decide de seu advento. Por meio de seu Filho, Jesus Cristo, Ele pronunciará então sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua providência terá conduzido tudo para seu fim último. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte.
1041. A mensagem do Juízo Final é apelo à conversão enquanto Deus ainda dá aos homens "o tempo favorável, o tempo da salvação" (2Cor 6,2). O Juízo Final inspira o santo temor de Deus. Compromete com a justiça do Reino de Deus. Anuncia a "bem-aventurada esperança" (Tt 2,13) da volta do Senhor, que "virá para ser glorificado na pessoa de seus santos e para ser admirado na pessoa de todos aqueles que creram (2Ts 1,10).
1042. No fim dos tempos, o Reino de Deus chegar à sua plenitude. Depois do Juízo Universal, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado:
Então a Igreja será "consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas, e com o gênero humano também o mundo todo, que está intimamente ligado ao homem e por meio dele atinge sua finalidade, encontrará sua restauração definitiva em Cristo"
1043. Esta renovação misteriosa, que há de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura a chama de "céus novos e terra nova" (2Pd 3,13). Ser a realização definitiva do projeto de Deus de "reunir, sob um só chefe, Cristo, todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra" (Ef 1,10).
Escrito por Pe. Henrique às 00h30
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O PT, a religião, o cristianismo e o aborto
Caro Internauta, veja bem esta notícia: PT ameaça expulsar deputados federais contra o aborto!
Os deputados Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC) estão sendo processados pela comissão de ética do diretório nacional do PT porque são contrários à aprovação do aborto no Brasil. Quem representou contra eles foi a petista Laisy Miriére, da Secretaria Nacional de Mulheres, que integra a executiva nacional do PT. Os deputados já foram notificados a apresentarem defesa prévia em dez dias e estão sujeitos até a expulsão.
Pergunta-se: o que um cristão pode fazer num partido assim? É o que digo sempre aqui: os valores da esquerda dificilmente se conciliam com o cristianismo. A esquerda tradicional tolera a religião por conveniência, mas, na verdade, tem-na como reacionária e inimiga... E ainda tem padres, como os quarenta de São Paulo, que fazem manifesto de apoio ao PT!
 Lula com o Papa.
Valores morais bem diferentes.
Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 15h29
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Servo inútil, mas feliz!
Dos escritos de São Patrício (385 - 461), monge missionário, Bispo, Apóstolo da Irlanda:
Eu, que, de início, não era mais do que um fugitivo tolo e sem instrução e que "não sei prever o futuro" (Ecl 4,13 Vulg), sei, no entanto, uma coisa com toda a certeza: é que, "antes de ser humilhado" (Sl 118,67), eu era como uma pedra que jazia numa lama profunda. Mas Ele veio, "Aquele que é poderoso" (Lc 1,49) e derramou em mim na sua misericórdia; ergueu-me verdadeiramente bem alto e colocou-me em cima do muro. Por isso, eu tenho de elevar a voz com toda a força, a fim de devolver qualquer coisa ao Senhor em troca dos seus benefícios, tanto aqui em baixo como pela eternidade, benefícios tão grandes que o espírito dos homens não pode enumerar.
Ficai, pois, admirados, "grandes e pequenos que temeis a Deus" (Ap 19,5); e vós, senhores e bem-falantes, escutai e examinai com atenção.
Quem foi que me ergueu, a mim, o insensato, de entre os que passam por sábios, peritos da lei, "poderosos em palavras" (Lc 24,19) e em todas as outras coisas? Quem foi que me inspirou, mais do que aos outros, a mim, o rebotalho deste mundo, a fim de que "no temor e no respeito" (Hb 12,28)... eu faça lealmente bem aos povos a quem o amor de Cristo me conduziu e me entregou para, se for digno disso, os servir toda a minha vida com humildade e verdade?
É por isso que, "segundo a medida da minha fé" (Rm 12,6) na Trindade, eu tenho de reconhecer e proclamar o dom de Deus e a sua "eterna consolação" (2Tes 2,16). Tenho que espalhar sem temor, mas com confiança o nome de Deus por toda a parte para que, mesmo após a minha morte, eu deixe uma herança aos meus irmãos e aos meus filhos, a tantos milhares de homens que batizei no Senhor.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 15h24
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A gratidão que encanta o Senhor
Dos Sermões de São Bernardo (1091-1153), abade cisterciense e doutor da Igreja:
Vemos, hoje em dia, muitas pessoas que rezam, mas, afinal, não as vemos a voltar atrás para dar graças a Deus. «Não foram os dez curados? Onde estão, pois, os outros nove?»
Estais lembrados, penso eu, que foi nestes termos que o Salvador se lamentou acerca da ingratidão dos outros nove leprosos. Podemos ler que eles sabiam «rezar, suplicar e pedir», pois tinham levantado a voz para exclamar: «Jesus, Filho de David, tende piedade de nós». Mas faltou-lhes uma quarta coisa que o apóstolo Paulo reclama: «a ação de graças» (1Tm 2,1), porque não voltaram para dar graças a Deus.
Nos nossos dias é ainda freqüente ver um considerável número de pessoas pedir a Deus com insistência o que lhes falta, mas são em pequeno número as que parecem ficar reconhecidas com os dons recebidos. Não há mal em pedir com insistência, mas o que faz que Deus não nos atenda é considerar que nos falta gratidão. Afinal, talvez seja até um ato de clemência da sua parte recusar aos ingratos o que estes pedem, para que não venham a ser julgados com rigor por causa da sua ingratidão. É, pois, por misericórdia que Deus retém por vezes a sua misericórdia.
Vede, portanto, como todos os que estão curados da lepra do mundo, quero dizer, das desordens evidentes, não aproveitam a sua cura. Alguns, com efeito, foram atingidos por uma chaga bem pior do que a lepra, tanto mais perigosa por ser uma chaga mais interior.
É por isso com razão que o Senhor do mundo pergunta onde estão os outros nove leprosos, porque os pecadores se afastam da salvação. É por isso que, depois de o primeiro homem ter pecado, Deus lhe perguntou: «Onde estás?» (Gn 3,9).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 15h19
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Um mundo macabro...
Vi, ontem, algo que me impressionou, chocou-me mesmo. Uma criança meiga, normal, pelos dez anos, frente ao computador. Chamou-me para ver alguns vídeos de desenho animado. “Veja como são engraçados” – disse-me ela. Eram dois.
No primeiro, um bonequinho com os dois braços amputados tentava, sobre uma escada, trocar uma lâmpada. A escada desabava, o bonequinho ficava pendurado à lâmpada pelos dentes. A lâmpada quebrava-se na sua boca, ferindo-lhe toda a parte interna da mucosa oral e quebrando-lhe os dentes. Sangue. O bonequinho desabou até o chão, feriu-se. A criança sorria com o vídeo... Divertia-se com o desastre, com a dor, com o infortúnio do triste e desvalido bonequinho. Eu, pasmo.
No segundo desenho, um alce. Uma árvore desaba sobre ele, prendendo-lhe a perna. O alce penosamente amputa a perna para se ver livre da árvore: dor, sangue, osso quebrado. Ao final, quando pensa estar livre, percebe que amputara a perna errada: a outra continua presa... A criança sorria gostosamente com o engano do alce. Nem sinal de compaixão, nem marca de pena, nem sintoma de compreensão do drama do pobre alce. Eu, atônito, penalizado, angustiado.
 Nas ruas, um casal que curte o "gótico": ele a puxa pela coleira...
Doentes de um mundo insano e sem Deus.
Meu Deus, meu Deus! Que mundo estamos construindo? Que estamos fazendo com nossos filhos? Saí da frente daquele computador com medo, com o coração apertado, com vontade de chorar... A geração que está chegando já não terá compaixão, já não conhecerá limites, já não saberá o que é sofrer pela dor do outro, já não saberá o que é piedade filial... Já não será humana.
Não! Não é exagero, não é alarmismo. Os primeiros sinais já estão aí, de uma geração sem Deus, sem profundidade espiritual, sem grande capacidade de entrar em si e de perceber os valores mais profundos, sem sensibilidade, sem senso de altruísmo... E a culpa é nossa, dos adultos, que não dão valores, que não dão Deus, fonte e sustento de todo valor, que não dão limites, que não sabem dizer “não”...
Lembrei-me de Jesus: “Não choreis por mim. Chorai por vós e por vossos filhos...” Jesus, piedade das nossas crianças, misericórdia dos nossos jovens, compaixão dos que ainda vão nascer... Tem piedade das crianças de hoje e do mundo de amanhã! Negamos-te, colocamos-te de lado, perdemos os referenciais, desmoralizamos a sacralidade da família e, agora, perdidos, corremos o risco de fazer de nossos filhos uns brutos sem coração... Jesus, piedade da humanidade que está se formando, misericórdia do mundo que está para vir e que ameaça ser medonho!

Obra de "arte" de um jovem "dark". Ele mesmo diz:
"Foi a melhor obra de arte que já fiz. ficou bem legal!"
Expressão de um mundo doente...
Escrito por Pe. Henrique às 01h18
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A súplica de Bento
Hoje, no Vaticano, em plena catequese, o Papa, de improviso, elevou ao Senhor esta súplica... Unamo-nos ao Sucessor de Pedro, Pastor da Igreja universal.
Marana, thá! Vem, Senhor! Vem ao teu mundo, nos modos que somente tu conheces.
Vem aonde há injustiça e violência.
Vem aos campos de refugiados, em Darfur, no Kivu do Norte, em tantas partes do mundo.
Vem aonde domina a droga.
Vem também em meio aos ricos que te esqueceram, que vivem somente para si mesmos.
Vem aonde és desconhecido.
Vem do teu modo e renova o mundo de hoje.
Vem também aos nossos corações,
Vem e renova o nosso viver,
Vem ao nosso coração para que nós mesmos possamos nos tornar luz de Deus, presença tua!

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 14h15
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A moral dos democratas
Caro Internauta, os democratas estão de volta ao governo dos Estados Unidos... como nos velhos tempos de Clinton, as questões morais serão tratadas de modo muito distante do sentir cristão...
Frente aos projetos anunciados de Barack Obama de autorizar projetos de pesquisa com embriões humanos, o presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde, cardeal Javier Lozano Barragán, reiterou nesta terça-feira que se trata de uma prática que atenta contra a ética.
O purpurado mexicano expressou a posição da Igreja em uma coletiva de imprensa em resposta à pergunta de uma jornalista que pediu sua opinião sobre as políticas de pesquisa com células-tronco embrionárias, que o presidente eleito dos Estados Unidos propôs no domingo passado.
Segundo informou nesse mesmo dia o chefe de transição do presidente eleito à Casa Branca, John Podesta, Obama autorizará vários projetos que o atual presidente George Bush deteve durante seu governo, entre eles a pesquisa com esse tipo de células.
Um princípio fundamental da bioética, recordou o cardeal aos jornalistas, assegura que «o que constrói ao homem é bom, o que o destrói é mau».
Recordando que a dignidade humana é um fim e não um meio que pode ser manipulado, afirmou que «nunca se pode usar uma pessoa como um meio para outra».
«Não é possível matar um ser humano para salvar outro», sublinhou.
Lozano Barragán se referiu também a outros métodos lícitos para extrair células-tronco, como as que se encon tram no cordão umbilical, no fígado, no pâncreas ou na medula óssea.
«Quando se trata de transplantes que não põem em perigo o doador nem o receptor, tudo é bem-vindo, não há nenhuma questão contra», assegurou.
Igualmente, assegurou que as descobertas com as células-tronco foram apresentadas à opinião pública, em um primeiro momento, como uma «panacéia», mas que até agora a cura com células-tronco embrionárias não ofereceu as garantias anunciadas.
Sobre o tema interveio também em coletiva de imprensa o professor Alberto Ugazio, coordenador do Departamento de Medicina Pediátrica do hospital Bambino Gesu, de Roma, para respaldar esta conclusão.
Quando utilizaram células-tronco embrionárias, «nem sequer um estudo deu um resultado positivo», mas muitas v idas foram salvas com células-tronco adultas, que se encontram em diversas partes do corpo, informou o doutor.

Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 01h08
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Pio XII e o Vaticano II
No marco das comemorações pelos cinqüenta anos da morte do Servo de Deus Pio XII, o Papa Bento XVI deixou claro – e com toda razão – que
não é possível compreender o Concílio Vaticano II sem levar em conta o vasto e profundo magistério de Pio XII. Basta olhar com atenção as citações presentes nos documentos conciliares: o Papa Pacelli é, depois da Escritura, a fonte mais citada.
O Papa Ratzinger exprimiu ao recolher a herança deixada à Igreja pelo pontificado de Eugenio Pacelli (1939-1958) no discurso que dirigiu neste sábado aos participantes de um congresso sobre «A herança do magistério de Pio XII e o Concílio Vaticano II», promovido pelas universidades pontifícias Gregoriana e Lateranense.
A intervenção do Papa mostra como este concílio ecumênico não supôs uma ruptura com o passado, mas seguiu a Tradição da Igreja, recebida e exposta pelo sumo pontífice, que havia precedido sua convocatória.
«Certamente a Igreja, Corpo Místico de Cristo, é um organismo vivo e vital, que não está imobilizado no que era há 50 anos», reconheceu o Papa depois de repassar os grandes documentos do pontificado de Eugenio Pacelli. «Mas o desenvolvimento acontece com coerência. Por isso, a herança do magistério de Pio XII foi recolhida pelo Concílio Vaticano II e proposta às gerações cristãs posteriores.»
O Papa constatou que «nas intervenções orais e escritas apresentadas pelos padres do concílio Vaticano II se encontram mais de mil referências ao magistério de Pio XII».
Nem todos os documentos do Concílio têm uma parte de notas, mas nos documentos que contam com isso, «o nome de Pio XII aparece mais de 200 vezes». Isso quer dizer que, «com exceção da Sagrada Escritura, este papa é a fonte autorizada que o Concílio cita com mais freqüência. Também – sublinhou –, as notas desses documentos não são, em geral, meras referências explicativas, mas com freqüência constituem autênticas partes integrantes dos textos conciliares; não só oferecem justificativas de apoio para o que afirma o texto, mas também oferecem uma chave de interpretação.»
O discurso do Papa se converteu, portanto, em uma reivindicação do papel histórico do falecido pontífice, em particular de seu magistério, pois «nos últimos anos, quando se falou de Pio XII, a atenção se concentrou de maneira excessiva em um só problema, tratado geralmente de maneira unilateral».
«Independentemente de outras considerações, isso impediu uma visão adequada de uma figura de grande profundidade histórico-teológica como a de Pio XII», considerou. «Não surpreende, portanto que seu ensinamento continue difundindo luz ainda hoje na Igreja. Na pessoa do Sumo Pontífice Pio XII, o Senhor fez à sua Igreja um dom excepcional, pelo qual todos devemos agradecer-lhe», afirmou.
Conclusões do congresso
Em suas palavras de saudação ao Papa, o arcebispo Rino Fisichella, reitor da Universidade Pontifícia Lateranense, mostrou como «o magistério de Pio XII, recolhido principalmente em suas 43 encíclicas e em seus numerosos discursos, não só foi propedêutico para o Concílio, mas marcou positivamente seu desenvolvimento».
Por isso, ao explicar o espírito do Vaticano II, disse: «Não vigora a lei da descontinuidade, mas a de uma continuidade que se realiza em um desenvolvimento harmonioso, capaz de mostrar o progresso da doutrina sem alteração alguma».
Por sua parte, na audiência, o Padre Gianfranco Ghirlanda, S.J., reitor da Universidade Pontifícia Gregoriana, explicou ao Papa que o congresso, que se celebrou na sede das duas universidades, «sublinhou mais uma vez a profundidade do magistério de Pio XII, que foi uma fonte riquíssima de tantos documentos do Concílio Vaticano II, assim como do magistério pós-conciliar».

Escrito por Pe. Henrique às 01h03
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Um amor sem limites, como o de Jesus
Das Obras de São Cirpiano (200-258), Bispo de Cartago e mártir:
"A caridade tudo ama, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1Cor 13,7). Deste modo nos mostra o apóstolo Paulo que, se esta virtude se pode manter com tal firmeza, é por ter sido mergulhada numa paciência a toda a prova. Ele diz ainda: "Suportai-vos uns aos outros no amor, fazendo tudo o que está ao vosso alcance para guardar a unidade de espírito no vínculo da paz" (Ef 4,2).
Não é possível manter nem a unidade nem a paz se os irmãos não se aplicarem em guardar a mútua tolerância e os laços da concórdia graças à paciência. Que dizer ainda, para além de não insultar, nem amaldiçoar, não reclamar o que nos tirarem, apresentar a outra face a quem nos bater, perdoar ao irmão que pecou contra nós, não só setenta vezes sete vezes, mas esquecendo todos os seus erros, amar os nossos inimigos, rezar pelos nossos adversários e pelos que nos perseguem?
Como conseguir cumprir tudo isso se não formos firmemente pacientes, tolerantes? Foi o que fez Santo Estêvão quando, em vez de clamar por vingança, pediu perdão para os seus carrascos, dizendo: "Senhor, não lhes imputes este pecado" (At 7,60).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 11h39
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Metido a analista...
Não sou analista político, mas gosto imensamente de observar a política. Deixa-me perplexo a atitude internacional ante a eleição de Barack Obama. É bobagem nos meios de comunicação e bobagem na boca de um monte de político latino-americano (o que não é novidade).
Nosso glorioso Presidente Lula, pródigo em afirmações desprovidas de conteúdo e populistas, tão a gosto do povo brasileiro (que pena: mostra o que somos!), já comparou Obama consigo mesmo. Só que entre Obama e Lula não há nada a ver mesmo! Como lembrou a Veja: “Muito se disse sobre a semelhança entre a ascensão de Lula, o primeiro presidente de origem humilde do Brasil, e a de Obama, o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos. As diferenças são intransponíveis. A comparação seria possível se Lula tivesse nascido na Ilha de Marajó, filho de um angolano com uma sexóloga de Cuiabá, tivesse morado em Bangcoc, na Tailândia, e fosse formado em direito na Universidade de São Paulo (USP). Lula, com sua origem pobre, pertence à maioria étnica brasileira. Obama, como negro, é da minoria nos Estados Unidos. O eleitorado negro americano, mesmo com o maciço comparecimento às urnas agora, subiu para apenas 13% do total. Lula venceu a eleição presidencial na quarta tentativa. Obama, na primeira. Lula, ao ser eleito, era o político mais conhecido do Brasil, e conhecia o Brasil de norte a sul. Obama, não. Desde 1976, quando apostaram em Jimmy Carter, governador da Geórgia, os democratas não lançavam nome tão desconhecido quanto Obama, senador há menos de quatro anos. Obama nunca andara pelos recantos dos Estados Unidos, em cuja parte continental pôs os pés pela primeira vez quando tinha 11 anos”. Além do mais, Obama não fala bobagens e tem demonstrado que está longe de ser um deslumbrado consigo mesmo e com o poder, como o nosso Presidente.
De modo indiscreto, em Cuba, de mãos dadas com o Ditador Fidel Castro, que perseguiu e matou para se manter no poder, Lula declarou publicamente sua simpatia a Obama antes da eleição. Atitude indigna de quem pensa que é estadista. E se ganhasse o republicano? Mas, Lula vai se arrepender... Ele não deve saber que, por tradição, os democratas são mais protecionistas que os republicanos. O Brasil terá mais dificuldades para exportar alguns de seus produtos para os EUA.
Pelo que vemos nos comentários mundo a fora, parece até que Obama é a favor do mundo e contra os Estados Unidos. Ledo engano! Obama é estadunidense até a medula: vai tratar o Irã com dureza, não vai retirar tão cedo as tropas do Iraque ou do Afeganistão, não dará moleza à Coréia do Norte nem fará gracejos para o Ditador da Venezuela ou os caudilhos da Bolívia e Equador. Como todo presidente estadunidense, Obama vai, sim, preservar os interesses dos Estados Unidos! Quando os coitados do Chávez e do Evo Morales (dois tiranóides tolos) querem fazer todo mundo pensar que a raiva deles era contra Bush, estão perdendo tempo. Um presidente norte-americano não fala mal de seu antecessor, como o Lula faz com o Fernando Henrique. Existe naquele País um profundo sentido cívico e de apreço pelas instituições, sobretudo a Presidência. Obama continuará reservado quanto às semi-ditaduras da América Latina.
As principais diferenças de Obama para Bush serão, internamente, (1) uma maior presença do Estado no cuidado para com os pobres e desempregados; (2) uma maior iniciativa em ações sociais por parte do governo; (3) maior fiscalização do mercado financeiro (mas nada do que fala o glorioso Lula, com um controle estatal da economia. Americano tem horror a isso) e (4) maior controle com o gasto público para equilibrar o déficit público norte-americano, que Bush tornou catastrófico. Externamente, penso que a grande diferença entre Obama e Bush será, como nos tempos de Clinton, a retomada de uma mais forte parceria com a Europa. Bush isolou muito os EUA dos europeus. Foi um erro. Também o Oriente Médio será beneficiado: Obama tentará reativar o processo de paz entre palestinos e israelenses.
O que é fina bobagem é esperar que o governo americano fique bonzinho e abra mão de seus interesses estratégicos... Mesmo porque há um Congresso, que é muito cioso de suas atribuições e vigiará a linha do Presidente. Como os meios de comunicação erraram na avaliação de Ratzinger, também erra feio nas previsões sobre Obama. Quem viver verá!
A questão é que num mundo superficial como o nosso, os meios de comunicação adoram fazer previsões e inflar a importância dos eventos, dando a tudo o adjetivo de histórico. Realmente, foi histórica a eleição de um negro para a Casa Branca. Mas, observe-se bem que Obama jamais fez disso uma bandeira da campanha. Se tivesse feito, não teria ganhado. Nisso há nele uma semelhança com Lula: seus ser negro terá tanta influência na formação do seu governo como ser operário teve no governo Lula: nenhuma! Mas, sobre essas coisas não adianta discutir. É esperar para ver!
 Obama: seu compromisso é com os EUA. Depois, o mundo. Como todo presidente estadunidense.
Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 23h55
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Um novo Templo para um nova Aliança
Dos escritos do Cardeal John Henry Newman (1801-1890), sacerdote convertido do anglicanismo, fundador de comunidade religiosa e teólogo:
 A Basílica de São João do Latrão, Catedral da Igreja de Roma
O Templo judeu, visível e material, estava confinado a um só lugar. Não cabia nele o mundo inteiro, nem mesmo uma nação, mas apenas algumas pessoas da multidão. Mas o templo cristão é invisível e espiritual, e pode ser em qualquer lugar.
Jesus diz à Samaritana: «Mas chega a hora - e é já - em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende» (Jo 4,23). «Em espírito e em verdade», porque, a menos que seja invisível, a sua presença não pode ser real. O que é visível não é o real; o que é material desagregar-se-á; o que está em determinado lugar é um fragmento, apenas.
 Interior da Basílica.
O templo de Deus, no regime cristão, é todo o lugar onde os cristãos se juntam em nome de Cristo; Ele está também presente de forma completa em cada lugar, como se não estivesse em mais nenhuma outra parte. E podemos entrar nesse templo, e juntarmo-nos aos santos que nele moram, à família celeste de Deus, de forma tão real quanto o adorador judeu entrava no recinto visível do Templo.
Nada vemos deste nosso templo espiritual, mas é a condição requerida para que ele esteja em todo o lado. Ele não estaria em todo o lado se o víssemos num local específico; nada vemos, então, mas fruímos de tudo.
 A abside da Basílica.
Já os profetas do Antigo Testamento no-lo apresentavam assim. Isaías escreveu: «No fim dos tempos o monte do templo do Senhor estará firme, será o mais alto de todos, e dominará sobre as colinas. Acorrerão a ele todas as gentes» (Is 2,2). O templo cristão foi desvelado a Jacó quando em sonhos viu «uma escada apoiada na terra, cuja extremidade tocava o céu; e, ao longo desta escada, subiam e desciam mensageiros de Deus» (Gn 28,12), e também ao servo de Eliseu: «O Senhor abriu os olhos do servo e ele viu o monte repleto de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu» (2Rs 6,17). Trata-se de antecipações do que iria ser estabelecido com a chegada de Cristo, que «abriu o Reino de Deus a todos os crentes». Por isso, São Paulo diz: «Vós, porém, aproximastes-vos do monte Sião e da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de miríades de anjos, da reunião festiva» (Hb 12,22).
 O Bispo de Roma
no dia em que tomou posse de sua Cátedra,
na Basílica do Latrão.
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h01
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